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15 de maio de 2012

«Douro, Faina Fluvial (1931,versão original), de Manoel de Oliveira

Realização e produção: Manoel de Oliveira Adaptação musical: Luís de Freitas Branco Fotografia: António Mendes

24 de março de 2010

Os três amigos (bis)

Em frente ao cinema Batalha
Fotografia de Michel Waldmann, Porto, 1987. Postal Edições 19 de Abril


Uma das fotografias de e sobre o Porto que mais gosto.

29 de novembro de 2009

O Jardim Passos Manuel


O Jardim Passos Manuel, situado na rua do mesmo nome, foi inaugurado a 18 de Março de 1908 e demolido em 1938 para a construção do Coliseu do Porto.

Durante trinta anos foi espaço de cultura e divertimento dos portuenses e de todos quantos visitavam a cidade. Dispunha de amplos jardins, com esplanada, uma sala de loto onde hoje se situa o Cinema Passos Manuel, um cinema ao ar livre (os dois outros únicos cinemas ao ar-livre da cidade foram o Cinema do Terço e o Cinema Trindade), uma central eléctrica que fornecia energia ás ruas da zona, um restaurante, quiosque de venda de jornais e revistas, um salão exclusivo para reuniões de negócios, um sala de café-concerto que tinha em permanência orquestra residente e dois sextextos, um clube nocturno, um coreto no jardim onde actuavam bandas filarmónicas e um recreio específico para crianças.








11 de novembro de 2009

Teatro Carlos Alberto


Rua das Oliveiras, 42.
Construído nos antigos jardins do Palácio do Barão do Valado, casa onde o rei da Sardenha, Carlos Alberto, se alojara por algumas semanas em 1849, foi o teatro inaugurado a 14 de Outubro de 1897 sob a invocação daquele ex-monarca.
Alugado pela Secretaria de Estado da Cultura nos finais da década de 70 do século XX, adoptou a designação de Auditório Nacional C.A. em 1980 tornando-se durante vários anos um importantíssimo pólo de divulgação de cinema. Tirando proveito da sua actividade que criou um público cinéfilo e especializado, ali decorreram as primeiras edições do festival de cinema Fantasporto.
Encerrado em 2000, foi adquirido pela Sociedade Porto 2001 e reaberto a 15 de Setembro de 2003 sendo actualmente gerido pelo Teatro Nacional de São João.

(foto de Casos e Casos)

Teatro São João


Praça da Batalha.
Teatro Nacional São João, propriedade do pelo Estado desde 1992.
No mesmo local existiu o Real Teatro São João, edificado em 1794 com projecto de Vicente Mazzoneschi. Inaugurado a 13 de Julho de 1798 pelo aniversário do Príncipe Regente D. João (futuro D. João VI). A 11 de Abril de 1908 um vilento incêndio destruiu completamente o teatro, reedificando-se no mesmo local um novo teatro sob projecto do arquitecto Marques da Silva e teve inauguração a 7 de Março de 1920, servindo também como sala de cinema até á sua aquisição pelo Estado.

Teatro Rivoli


Praça D. João I
Construído em 1913, sob o nome de Teatro Nacional, foi totalmente alterado em 1923 adquirindo a actual designação, com adaptação também a espectáculos de cinema, sob projecto do arquitecto Júlio Brito. Encerrado em 1992, reabriu em 1997 após ser adquirido pela Câmara Municipal do Porto e realizadas obras de remodelação sob projecto do arquitecto Pedro Ramalho.

Teatro do Campo Alegre





Projecto do Arquitecto Rogério Cavaca. Inaugurado no ano 2000. Propriedade da Fundação da Ciência e Desenvolvimento.
Companhia residente, com contrato até 2015: Seiva Trupe-Teatro Vivo CRL.
Tem Cine-Estúdio.

17 de outubro de 2009

Cinemas do Porto

Águia d'Ouro, Praça da Batalha (1900-?);
Batalha, Praça da Batalha, 47;
Casa das Artes, Rua de Ruben A, 200;
Carlos Alberto, Rua das Oliveiras;
Carvalhosa, Rua.... (1933);
Central-Cine da Carcereira, Rua de Pedro Hispano, 600;
Central Shopping, Rua de Santos Pousada, 290,
Charlot, Praça Mouzinho de Albuquerque, 113, Centro Comercial Brasília;
Cidade do Porto, Rua Gonçalo Sampaio, 350;
Cine-Foz, Esplanada do Castelo (?-Maio de 2003);
Cine-Palais, Rua de Alexandre Herculano, (27/04/1907-?),
Cine-Teatro Vale Formoso, Rua de S. Dinis, 892,
Cinema do Terço, Rua João Pedro Ribeiro, 680;
Coliseu do Porto, Rua Passos Manuel 137; (1941- actualidade);
Éden Theatro, Rua Alexandre Herculano;
Estúdio, Rua de Costa Cabral, 128;
Estúdio FOCO, Rua Afonso Lopes, Vieira, 54 (inaugurado a 8/09/1973);
Estúdio 400, Rua de Pêro de Alenquer;
High-Life, Rotunda da Boa Vista (1906); Jardim da Cordoaria (1908), Praça da Batalha (1908);
Júlio Diniz, Rua de Costa Cabral, 323;
Lumiére - A e L, Rua José Falcão;
Nun'Alvares, Rua de Guerra Junqueiro, 485;
Ódeon Cine-Teatro, Rua Pinto Bessa;
Olympia Kinema Teatro, Rua de Passos Manuel, (1912-?);
Passos Manuel, Rua Passos Manuel, 137; (abertura 21/11/1971, encerrado em 2002, reaberto em 08/11/2004, encerrado em 2006);
Pedro Cem, Rua de Júlio Diniz, 103, r/c;
Rayone, Rua João Lúcio de Azevedo, 71;
Rendez-Vous d'Elite, Castelo da foz (Julho 1907-?);
Rivoli, Praça D. João I;
Sá da Bandeira, (Teatro do Príncipe Real), (26/08/1896-actualidade), Rua de Sá da Bandeira, 108;
Sala Bébé, Praça da Batalha 47;
Salão Cinematográfico do Chiado (Animatographo dos Grandes Armazéns do Chiado), Rua dos Carmelitas (09/05/1907);
Salão Express, Rua do Bonjardim (1896-?);
Salão Jardim Passos Manuel, Rua de Passos Manuel 137 (17/03/1908-1938);
Salão Marquez de Pombal, Rua do Lindo Vale (R. da Constituição/Largo Marquês de Pombal - 08/07/1907-?);
Salão Paraíso (Salão Cinematográfico Portuense, Animatographo do Paraíso, Salão d'Elite), Rua do Bonjardim, Pátio do Paraíso (30/03/1907-?);
Salão Pathé, Rua José Falcão (09/08/1907-?);
Salão Santa Catarina, ?, (1907-?);
São João, Praça da Batalha;
Stop - 1 e 2, Rua do Heroísmo, 333;
Teatro Vasco da Gama, Rua do Teatro;
Trindade (Salão Jardim da), Rua Ricardo Jorge, (14/06/1913 - 1989);

19 de julho de 2009

Fantasporto - IV

«MEMÓRIAS DO FANTAS (originalmente publicado aqui, a 28/02/2004)

O Fantasporto é um dos principais festivais de cinema do mundo, seja pela sua dimensão, qualidade e variedade dos filmes e sucesso de público.
Está agora decorrer a sua 24ª edição, à qual não tenho oportunidade de assistir.

O Fantas tinha, no tempo em que eu assiduamente participava, diversas particularidades que o tornavam tão carismático.
Hoje em dia está popularizado o conceito de ir ao cinema sem se saber ao certo que filme se vai ver. No Fantas era assim todos os dias. Lia-se o programa, dizia-se vagamente “ouvi dizer que este é bom” e sabe-se lá que mais mentiras intelectuais e partia-se para o Carlos Alberto para uma sessão no escuro. Em todos os sentidos.
Aquele cinema não tinha lugares marcados, as pessoas sentavam-se onde queriam, mas existiam arrumadores!

A fauna que o frequentava sempre me fascinou: de onde saía aquela gente cheia de barbas, cachecois palestinianos, malas a tiracol, eu sei lá? Zombies noctívagos certamente pois de dia não se viam pela cidade.

O ambiente era perfeitamente delirante. Batia-se palmas quando as moto-serras dos filmes de Dário Argento (nas sessões das duas da manhã!) cortavam ao meio o 14º personagem. Tudo aquilo não tinha muito sentido, mas era divertidíssimo. Assobiava-se quando o herói salvava a criança das garras do milionésimo lobisomem: “deixa ver”, “sacana”, sai da frente”, “deixa o rapaz trabalhar” eram expressões usualmente soltas pelos mais exigentes.
Havia intervalos nos filmes e uma onda de fumo entrava pela sala dentro na segunda parte.

Um dia, numa qualquer sessão às cegas das 15.30 apareceu um sujeito em cima do palco a anunciar que o filme se tinha atrasado num qualquer aeroporto e portanto iria ser substituído por outro, de um ainda mais obscuro realizador polaco, em V.O., legendado em francês. Ninguém saiu da sala. Ninguém protestou. Era para isso mesmo que lá estavamos todos. Ser surpreendidos. Nem sequer ao fim de meia hora em que não se percebia um chavo (toda a gente percebia francês, claro, a dificuldade relacionava-se com a realização deficiente, com a história desconchavada e com as minúsculas legendas de minuto a minuto, numa película cheia de diálogos naquela bela língua de Leste.

Mas o êxtase aconteceu quando de repente, num belo efeito cinematográfico de impossível repetição, a película, qual cena inicial do Bonanza, começou a arder, do centro para a periferia. A sala vinha abaixo com palmas, gritos de “bis, bis”, “queremos mais” e sei lá que mais. Lá surgiu o mesmo personagem a anunciar “um curto intervalo” e a reposição de um filme passado no dia anterior.

Vi lá coisas excelentes das quais destaco a ante-estreia de Blade Runner. Cronemberg, o horrível, mas por isso mesmo divertido filme de Coppola chamado “Dimitri 13", o “Metrópolis” do Fritz Lang com banda sonora por uma orquestra ao vivo, “Solaris” do Tarkovsky, Joel e Ethan Cohen, Brian de Palma, Freddy Krugger, Pedro Almodovar, Stephan King, Tarentino, o “Delicatassen”, David Lynch e tantas coisas boas.

E tenho a sensação que é um Festival com poucos subsídios (é duro, mas fica-lhe bem e aguça o engenho), com uma excelente imagem visual e gráfica e que se tornou uma marca visível da cidade.
Viva o Fantas!»

Fantasporto - III

IIIª edição

Fantasporto - II

IIª edição

Fantasporto - I

Cartaz da Iª edição

14 de março de 2009

Primórdios do cinema no Porto - cronologia

26 DE AGOSTO de 1896 - No Teatro do Príncipe Real (Porto), é apresentado à Imprensa o ANIMATOGRAPHO PORTUGUEZ PINTO MOREIRA; sessões públicas a partir do dia seguinte, com doze quadros, “todos de completa novidade e alguns de esplêndido efeito” (“Jornal de Notícias”).
8 DE NOVEMBRO de 1896 - Teatro do Príncipe Real (Porto) apresenta UMA SALVA DE ARTILHARIA NA SERRA DO PILAR de Aurélio da Paz dos Reis e Francisco de Magalhães Bastos Júnior; em cartaz até 14 de Novembro.
10 DE NOVEMBRO de 1896 - Teatro do Príncipe Real  apresenta no KINETOGRAPHO PORTUGUEZ PAZ DOS REIS, também operador com Francisco Magalhães de Bastos Júnior; “quadros de assuntos locais” (“O Comércio do Porto”).
11 DE NOVEMBRO de 1896 - Aurélio da Paz dos Reis apresenta CENAS DA VIDA PARISIENSE; fita divulgada em Sessão Jornalística a 30 de Outubro (“A Voz Pública”).
12 DE NOVEMBRO de 1896 - Primeira sessão do Kinetographo Portuguez, no Teatro do Príncipe Real, com a projecção de SAÍDA DO PESSOAL OPERÁRIO DA FÁBRICA CONFIANÇA (Rua de Santa Catarina, Porto) de Aurélio da Paz dos Reis e Francisco de Magalhães Bastos Júnior.
16 DE NOVEMBRO de 1900 - Baillac & Pigassou filmam (realização e fotografia) NA PRAÇA DE D. PEDRO/PORTO, documentário a exibir no Salão Águia d'Ouro.
23 DE NOVEMBRO de 1900 - Águia d'Ouro (Porto) estreia CORTEJO FÚNEBRE DO SAUDOSO MAESTRO CYRIACO CARDOSO, ocorrido em 16 de Novembro, com passagem na Praça da Batalha; reportagem por Baillac & Pigassou, do Royal Kosmograph.
20 DE DEZEMBRO de 1896 - No Porto (Rua do Bonjardim), é inaugurado o SALÃO EXPRESS; dedicado “aos maravilhosos inventos de Edison”.
8 DE SETEMBRO de 1906 - Teatro Águia d'Ouro (Porto) estreia a actualidade EL-REI DE PORTUGAL EM PARIS, “em apresentação do Cinenematographo Parisiense, da Pathé”.
23 DE DEZEMBRO de 1906 - No Porto (Largo da Cordoaria/Campo dos Mártires da Pátria), é inaugurado o SALÃO HIGH LIFE, pela empresa Neves & Pascaud; “elegante pavilhão, aos Clérigos”, com Cinematographo Pathé, sendo proprietários Manuel Neves e Eduardo C. Pascaud.
10 DE FEVEREIRO de 1907 - No Porto, é inaugurado o SALÃO SANTA CATARINA.
30 DE MARÇO - 1907 - No Porto, é inaugurado o “grandioso pavilhão” SALÃO CINEMATOGRÁFICO PORTUENSE, no Pátio Paraíso (ao Bonjardim) ou dos Bombeiros Voluntários - cuja banda toca no intervalo das sessões, quatro “a partir das 8 horas”; em Julho, passou a chamar-se Animatographo do Paraíso; em Outubro, Salão d'Elite.
27 DE ABRIL de 1907 - No Porto (Rua Alexandre Herculano), é inaugurado o CINE-PALAIS, propriedade de Don Antonio Manresa.
9 DE MAIO de 1907 - No Porto (Praça dos Voluntários da Rainha/Rua das Carmelitas) é inaugurado o ANIMATOGRAPHO DOS GRANDES ARMAZENS DO CHIADO; “nos baixos da casa, onde têm lugar cerca de mil pessoas, todo instalado com luxo e bem disposto”; “destinado aos fregueses, segundo as compras”.
8 DE JULHO 1907 - No Porto (Largo Marquês de Pombal/Rua da Constituição), é inaugurado o SALÃO MARQUEZ DE POMBAL, sendo empresário Armindo José Fernandes.
7 DE AGOSTO de 1907 - No Paraíso (Pátio dos Voluntários - Porto) estreia EXCURSÃO À MADEIRA; reportagem apresentada em Lisboa (Jardim de Inverno do D. Amélia) a 27 de Julho.
9 DE AGOSTO de 1907 - No Porto (Rua D. Carlos\José Falcão/Rua da Conceição), é inaugurado o SALÃO PATHÉ, com “uma série de portas inteligentemente combinadas”.
9 DE AGOSTO de 1909 - Salão High-Life (Porto) estreia S.M. EL-REI D. MANUEL II NO PORTO; inclui “passagem na Praça D. Pedro e lançamento da primeira pedra na Praça Mouzinho de Albuquerque do Monumento à Guerra Peninsular”.

11 de dezembro de 2008

M. d'O - 8 de Dezembro de 1908

«Portugueses fotogénicos: M. d'O., portuense, desportista quási completo, 1 m. e 73 c. de altura, loiro, olhos verdes-acastanhados. Um célebre enscenador francês, depois de ver as suas fotografias, comunicou-lhe que elas «prouvent des qualités photogéniques cértaines», terminando por lhe manifestar este desejo: «Si vous venez un jour à Paris ne manquez pas de venir me voir». Aos seus dotes naturais, junta M. d'O. uma sincera vocação para a scena muda.»

Revista «Cinéfilo», 1 de Junho de 1929