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28 de janeiro de 2010

O 31 de Janeiro e a bandeira republicana


Esta era a bandeira do «Centro Democrático Federal 15 de Novembro», clube republicano fundado no Porto, a 11 de Janeiro de 1891 (primeiro aniversário do Ultimatum britânico), e tendo entre os seus iniciais 150 membros, os destacados dirigentes republicanos Alves da Veiga (advogado e publicista), Magalhães Lima (fundador e ex-director do jornal «O Século») e Teófilo Braga (professor universitário).

Tal centro localizava-se na Praça dos Poveiros, em cuja fachada degradada ainda se pode ler uma placa evocativa:

«Casa onde foi fundado o Centro Democrático Federal 15 de Novembro cuja bandeira foi hasteada no edifício da Câmara Municipal do Porto na Revolução do 31 de Janeiro de 1891».

A inclusão da data «15 de Novembro» no nome daquele núcleo republicano é homenagem ao golpe que levou à implantação da República no Brasil , ano e meio antes, precisamente a 15 de Novembro de 1889. E o termo «federal» dizia respeito à assumpção de uma corrente de pensamento político descentralista, municipalista e regionalista, que sempre se manifestou com alguma força no Porto, mesmo no seio e no âmbito das lutas intestinas do partido Republicano/Democrático durante toda a I República.

Aquando da Revolta de 31 de Janeiro, o presidente do Centro Democrático Federal 15 de Novembro, Alves da Veiga proclamou a república da varanda da Câmara Municipal do Porto, então situada na Praça D. Pedro (actual «da Liberdade»), sendo hasteada a bandeira acima reproduzida.

À época não existia uma bandeira do Partido Republicano (cuja implantação incipiente se resumia precisamente em diversos e atomizados «centros»), nem sequer uma definição cromática com sentido revolucionário ou político. No entanto, tal como ao longo dos tempos e em tantos lugares, a cor vermelha simbolizava a «revolta», ou «revolução» pretendidas. Na bandeira em análise, juntou-se um círculo verde central, precisamente em homenagem ao recém republicanizado Brasil, pois que essa era (e é) a cor tradicional e principal do estandarte daquele país sul-americano.

Assim, é apenas depois da revolta portuense que os republicanos portugueses, por solidariedade e homenagem, assumiram como suas aquelas cores - verdade e vermelho - já então tingidas de «martírio» dos mortos, presos e deportados que tinham levantado a primeira bandeira e proclamado a efémera e frustrada república no Porto. Logo de seguida o PRP adoptou essa simbologia e a mesma veio a tornar-se definitiva aquando da implantação da República em 1910.