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7 de dezembro de 2009

A tomada do Porto pelos franceses

«(…) Às 3 da manhã de 29 [de Março] tocou o sino a rebate; e entre as 5 e as 6 atacou o inimigo com a artilharia; assestando algumas peças contra S. Francisco, matando algumas pessoas na casa da guarda; mais para a esquerda, atiraram os Franceses com algumas granadas á linha, e isto pôs as ordenanças em confusão, e estas espalharam o terror por toda a linha.

Entre as 7 e as 8, era geral a retirada, e os fugitivos se recolhiam á cidade seguidos de muito perto pelos Franceses.

Não vi mais o General Parreiras; e soube depois que ás 7 horas passara a ponte e fora com o Exmo Bispo. Não se fazendo resistência alguma na cidade; nem havendo preparativos para defesa, uma partida da Legião, que vinha das baterias, e alguns soldados ingleses, capitaneados pelo Major Domingos Bernardino, se portaram com grandessíssima valentia; este oficial ficou levemente ferido e teve o seu cavalo morto debaixo de si.

O General deu ordem para que fosse cortada a ponte, que conduz a Vila nova; mas isto só se executou em parte, e ao depois, quando começou a retirada, e o povo queria todo passar pela ponte, se tornaram a por os pontões que se haviam retirado. Mal poderia exprimir a desordem e horríveis cenas, que vi, e posso dizer que centos destes desgraçados foram mortos no aperto, principalmente mulheres e crianças, e pessoas de inferior condição. Parece-me que os Franceses tinham bons guias, e escolheram donde faziam fogo aos botes, que atravessavam o rio com gente.

Avançaram à rua das Flores e rua Nova, onde uma partida da Legião se lhes opôs por algum tempo, e fez grande execução principalmente entre a cavalaria, mas sofreu muito, e viu-se obrigada a guarnecer o posto do mercado do peixe, e por fim cedeu á multidão do inimigo. Tomaram os Franceses posse da ponte, e havia nesse lugar duas peças debaixo do arco, os artilheiros fizeram fogo duas vezes; eu e o Major C – persuadidos de que tínhamos cumprido o nosso dever, cruzamos o rio n’um pequeno bote, por baixo de pesado fogo do inimigo; deixamos os nossos cavalos.

Indo para o Monte da Serra achei uma peça de seis, que atirava sem fazer bem algum, os que a manobravam não quiseram atender ás nossas representações, e mataram mais Portugueses do que Franceses. Tratei agora de retirar-me, estando certo que os Franceses ali chegariam em breve tempo. Eu e o Major marchamos a pé 3 léguas, no caminho de Ovar, onde me embarquei , e gastei 24 horas até Aveiro.

Sou obrigado a dizer a V. Exa que o povo, nesta infeliz retirada, me mostrou o maior respeito e atenção.(…)»

Carta de um oficial inglês, datada de Coimbra, 2 de Abril de 1809, in «Correio Braziliense ou Armazém Literário», Vol. II, Nº12, Londres, Maio 1809;

28 de março de 2009

Invasões (5)

A Ponte das Barcas foi projectada por Carlos Amarante e inaugurada a 15 de Agosto de 1806.
Era constituída por vinte barcas ligadas por cabos de aço e que podia abrir em duas partes para dar passagem ao tráfego fluvial. Destruída parcialmente aquando da permanencia dos franceses na cidade, foi mais tarde reconstruida. Apenas em 1843, com a Ponte Pênsil, foi definitivamente desmantelada.

27 de março de 2009

Invasões (4)

Quadro da época, alusivo à passagem do Douro pelas tropas
do General Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington) da margem
sul para o porto, desalojando as tropas francesas que ocupavam
a cidade, capitaneadas pelo Marechal Soult.

Invasões (3)

Modelo em gesso, da autoria de Teixeira Lopes, evocativo do desastre da
Ponte das Barcas e cujo original se encontra colocado no Muro da Ribeira

Invasões (2)

Quadro alusivo áo desastre da Ponte das Barcas, presentemente na Capela das Almas
(ou Igreja das Taipas) e que esteve no local onde posteriormente foi colocado
baixo-relevo da autoria do escultor Teixeira Lopes

Relato da invasão do Marechal Soult

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in Correio Braziliense ou Correio Literário, Vol. II, Nº12, Londres, Maio 1809

9 de março de 2009

Invasões (1)

Alegoria à Invasão do Porto pelos Franceses, circa 1809.
Gravura a buril e água forte de gravador desconhecido.
211 x 278 mm (mancha).

É percéptível na imagem o Desastre da Ponte das Barcas